UM CONTO
Decidi hoje contar-te esta pequena história, que tu tão rapidamente perceberás e todos compreenderão…

Olhares
Naquele dia eu não estava especial ou particularmente feliz, não estava e motivos não tinha para a tristeza, era apenas um dia que sucedia a outro.
Caminhava em direcção ao escritório, e como habitualmente, com passo curto, firme e sem pressa olhava os rostos que comigo se cruzavam naquela amálgama.
Aquele lugar como todos os lugares povoados por pessoas, onde os cheiros, cores e vozes se misturam, ( já reparaste como os cheiros e cores me arrebatam ? ) provocou em mim uma sensação de “embriaguez” e pareceu conduzir-me até teus olhos.
Lembro-me de te sentir entrar em mim e eu em ti, sentir o que nunca antes sentira e subitamente não te ver mais e ficar com uma enorme ansiedade (aquela vontade de alcançar algo que causa um frio na barriga, e coloca as pernas e o queixo a tremer).
Podia ter sido uma alucinação, um sonho, mas não foi o caso.
Dias depois numa rua menos movimentada, cruzámo-nos outra vez e sem trocar uma palavra voltámos a trocar cúmplices olhares, desta vez foram olhares de provocação, de puro desafio e incitamento. E eu decidi seguir-te. (...)
A última vez que nos olhámos sem nos tocarmos foi no supermercado, as tuas 3 amigas também olhavam e foi a última vez ....
Não trocámos uma palavra (apesar de as termos pronunciado), não sei o teu nome (não sei se sabes o meu), contudo lembro-me do teu cheiro, da cor de vários centímetros do teu corpo, do toque acetinado da tua pele e sobretudo sinto ainda dentro de mim o teu olhar.
Ainda existirá o ninho que nos acolheu em silêncio ?
Nós sim, e as lembranças também.


Naquele dia eu não estava especial ou particularmente feliz, não estava e motivos não tinha para a tristeza, era apenas um dia que sucedia a outro.
Caminhava em direcção ao escritório, e como habitualmente, com passo curto, firme e sem pressa olhava os rostos que comigo se cruzavam naquela amálgama.
Aquele lugar como todos os lugares povoados por pessoas, onde os cheiros, cores e vozes se misturam, ( já reparaste como os cheiros e cores me arrebatam ? ) provocou em mim uma sensação de “embriaguez” e pareceu conduzir-me até teus olhos.
Lembro-me de te sentir entrar em mim e eu em ti, sentir o que nunca antes sentira e subitamente não te ver mais e ficar com uma enorme ansiedade (aquela vontade de alcançar algo que causa um frio na barriga, e coloca as pernas e o queixo a tremer).
Podia ter sido uma alucinação, um sonho, mas não foi o caso.
Dias depois numa rua menos movimentada, cruzámo-nos outra vez e sem trocar uma palavra voltámos a trocar cúmplices olhares, desta vez foram olhares de provocação, de puro desafio e incitamento. E eu decidi seguir-te. (...)
A última vez que nos olhámos sem nos tocarmos foi no supermercado, as tuas 3 amigas também olhavam e foi a última vez ....
Não trocámos uma palavra (apesar de as termos pronunciado), não sei o teu nome (não sei se sabes o meu), contudo lembro-me do teu cheiro, da cor de vários centímetros do teu corpo, do toque acetinado da tua pele e sobretudo sinto ainda dentro de mim o teu olhar.
Ainda existirá o ninho que nos acolheu em silêncio ?
Nós sim, e as lembranças também.
Comentários
Muito Bom!
Abraços
também concordo plenamente com o "conceito".
Sem dúvida que o cheiro é das sensações que mais avidamente relacionamos, que nos transportam através do tempo e das lembramças a lugares, a coisas ou a pessoas que outrora a ele relacionamos.
Os olhares são, na minha opinião, uma linguagem silênciosa, um subtil meio de comunicar que fica gravado na nossa memória,..." palvras leva-as o vento "... e os olhares? Quem os leva?
Obrigado por ter adicionado o meu blog.
Um abraço, J. Lomba
Os cheiros também se prendem em mim, mas confesso que agora é difícil senti-los com a mesma intensidade porque já me familiarizei com alguns dos que mais gosto.
Mas os olhares, essa linguagem mágica, continua bem avivada. E confesso que a acho preferível a muitas palavras que possam ser ditas.
O silêncio e os olhares são capazes de nos incendiar e de nos arrefecer os corações...
Sinto que não partilhei tudo o que sentia. Talvez porque é demasiado similar ao texto. Talvez porque seja segredo.
Boa semana :) * Beijinho
Tem um bom fim de semana.
Um beijinho*.
Beijinho e um bom fim-de-semana, Carlos! *