segunda-feira, dezembro 20, 2004

NATAL (texto partilhado com Olhar Atento)


NATAL

Eu nasci no continente africano onde o calor tropical nos aquecia o corpo e mantinha numa alegria de viver constante, quando aos cinco anos fui convidado a refugiar-me em Portugal, onde por oposição ao calor descobri o frio .

Este mesmo frio que agora sentimos, pois foi à precisamente 30 anos que aqui cheguei (20 de Dezembro de 1974).
Desse dia recordo ter conhecido dois miúdos (como eu) o Paulo e o Rui Silva, recordo igualmente de ver a minha avó materna a fazer "filhós",e ainda recordo ter perguntado onde ficava o mar (a restinga ficara longe e meus olhos ...)

É verdade que eu era uma criança, e que poucas memórias tenho desse tempo (talvez apagadas pelo sofrimento na época), é verdade também que no frio daquele inverno e todos os que o sucederam até de novo ter partido à procurado calor tropical em outro meridiano, descobri prazeres que desconhecia, mas é sobretudo verdade que foi na alternância das estações que cresci e aprendi que em qualquer circunstância podemos encontrar felicidade, basta para tal estar atento, manter o espírito aberto à mudança ao mundo e às pessoas.

Naqueles primeiros Natais passados à luz de um candeeiro, porque ainda não chegara à aldeia a energia eléctrica, a "telefonia" era o epicentro das reuniões familiares, em que se podia ouvir o arfar de cada um (tal era o silêncio) para escutar um qualquer folhetim que passava na rádio, enquanto a lenha queimava apressadamente e nos aquecia. Lá fora o frio cortava e a escuridão instalava-se para mais tarde se apoderar do imaginário das crianças, alimentadas pelas histórias dos mais velhos.

Na noite de Natal a refeição fazia parte de um ritual com mais de 2 séculos , e lá por volta da meia-noite eramos convidados a ir buscar os sapatos engraxados e deixá-los junto à chaminé.

Na manhã seguinte ainda lembro a felicidade que experimentava ao encontrar uma prenda , e não se passou uma manhã de 25 de Dezembro, sem que lá existisse sinal da presença do PAI NATAL, esse PAI NATAL em que até hoje acredito e pelo qual ainda procuro pautar o meu comportamento ao longo de todo o ano, permitindo-me nesta época fazê-lo de forma especial .

Hoje comemoro 30 anos que cheguei a Portugal,mas sobretudo comemoro a conquista de mais um dia em que me sinto feliz por ter oportunidade de partilhar ! (...)

A Restinga fica aqui e a aldeia escondida aqui

quarta-feira, dezembro 15, 2004

BILÍNGUE

Eu amo saber, que amar
Is to know, where you are
e respirar
the sweet sound of your voice
penetrando em meus ouvidos !
Perhaps, my love
Eu te sinta, mais que o cinto
that i feel in my body,
mas a verdade, é que
I would like, to feel you
mais, muito mais.
But i can't do it without
você, baby !!!

Batista Ferreira

28 de Outubro de 1992

AMEI VOCÊ

Amei Você,
na cama, no céu, na luz da vida
e em todos os demais sonhos
que a ternura criou !

Amei você,
com amor, com carinho
com tudo aquilo
que os filmes de amor teêm !

Amei você,
no limite, sem limite e
permiti que todas as leis naturais
nada mais fossem
que limites, sem limite, pra nós dois !

Amei você,
no medo da solidão,
no silêncio das minhas ansiedades,
na ternura de meus pensamentos,
e na ilusão de minha existência !

Amei você,
sem querer te amar,
sem ter que te amar,
sem me obrigar a te amar,
sem julgar te amar e
sem perceber
que realmente te amava !!!

Jorge Joaquim Semião d'Alencar
18 de Fevereiro de 1993

quarta-feira, dezembro 08, 2004

Águas de Março

(Em memória de um poeta maior da língua Portuguesa)

António Carlos Jobim (clique para ouvir)



É pau, é pedra, é o fim do caminho
É um resto de toco, é um pouco sozinho
É um caco de vidro, é a vida, é o sol
É a noite, é a morte, é um laço, é o anzol
É peroba do campo, é o nó da madeira
Caingá, candeia, é o Matita Pereira.

É madeira de vento, tombo da ribanceira
É o mistério profundo, é o queira ou não queira
É o vento ventando, é o fim da ladeira
É a viga, é o vão, festa da cumeeira
É a chuva chovendo, é conversa ribeira
Das águas de março, é o fim da canseira
É o pé, é o chão, é a marcha estradeira
Passarinho na mão, pedra de atiradeira.

É uma ave no céu, é uma ave no chão
É um regato, é uma fonte, é um pedaço de pão
É o fundo do poço, é o fim do caminho
No rosto o desgosto, é um pouco sozinho.

É um estrepe, é um prego, é uma conta, é um conto
É uma ponta, é um ponto, é um pingo pingando
É um peixe, é um gesto, é uma prata brilhando
É a luz da manhã, é o tijolo chegando
É a lenha, é o dia, é o fim da picada
É a garrafa de cana, o estilhaço na estrada
É o projeto da casa, é o corpo na cama
É o carro enguiçado, é a lama, é a lama.

É um passo, é uma ponte, é um sapo, é uma rã
É um resto de mato, na luz da manhã
São as águas de março fechando o verão
É a promessa de vida no teu coração.

É uma cobra, é um pau, é João, é José
É um espinho na mão, é um corte no pé
É um passo, é uma ponte, é um sapo, é uma rã
É um belo horizonte, é uma febre terçã
São as águas de Março fechando o verão
É a promessa de vida no teu coração

quarta-feira, dezembro 01, 2004

BLACK OUT


Foto retirada aqui :http://www.rainhadapaz.g12.br/projetos/estudomeio/sapucai/depoimentos.htm



Tarde muito tarde na vida, soletro os sons do mundo
E tal garoto do mundo embriagado me atormento
Buscando em cada sorriso o calor de um irmão disposto
A me acarinhar e mostrar a vida,
Essa coisa de que apenas tenho ouvido falar.

Será que essa tal de vida é parecida com minha mãe ?
Oh, como minha mãe é linda e meiga, como gosto dela...
Será que essa tal de vida a conhece ?
Eu acho que se ela conhecer a minha mãe vai gostar dela,
è por causa de que todo mundo gosta dela, a vida também vai gostar !

Quando eu conhecer a vida de que ocês falam, cês nem sabem
O que é que vou falar com ela : Vou falar assim, que queria
ter aquela comida que eu vejo os Meninos de Dona Maricotinha a comer,
assim num copinho, e que se ficar no sol some. É tão engraçado .
Um dia me deram dessa comida e eu fiquei olhando tanto
Que quando acordei ela tinha sumido, virou assim um caldo...
Mas era tão linda , às cores e com curvas !

Agora eu vou querer uma para comer de verdade, dessa vez
Eu não vou dormir. Ah, não vou não...

Eu quero muito conhecer essa tal de vida, porque me disseram
que essa tal de vida é muito boa, e como eu não tenho ninguém
Se ela quiser pode tomar conta de mim, eu gosto assim
Quando as pessoas me tratam bem e chamam de Menino da Rua ! (...)

Eu não quero roubar,pedir, chorar ou chatear, só estou querendo
Um pouco da sua atenção.
Talvez não tenha percebido, mas eu
Sou invisual e não conheço a vida, poderá me apresentar a ela ?


Jorge Joaquim Semião de Alencar
Montes Claros, 1993/07/05 (21:38 fim)


O tempo e os tempos

Foi aqui, no tempo Enquanto sorvia o teu silêncio, que Reclinando a cadeira, somei Todos os tempos, que vividos Através da pausa dos sen...