sexta-feira, dezembro 30, 2005

BOM ANO NOVO

Eu sei que o NATAL já passou, mas porque Natal deve ser todos os dias, reedito este texto do ano passado e aproveito para desejar-vos um BOM ANO NOVO, pleno de sucessos e saúde.


NATAL

Eu nasci no continente africano onde o calor tropical nos aquecia o corpo e mantinha numa alegria de viver constante, quando aos cinco anos fui convidado a refugiar-me em Portugal, onde por oposição ao calor descobri o frio .

Este mesmo frio que agora sentimos, pois foi à precisamente 30 anos que aqui cheguei (20 de Dezembro de 1974). Desse dia recordo ter conhecido dois miúdos (como eu) o Paulo e o Rui Silva, recordo igualmente a minha avó materna a fazer "filhós",e recordo ter perguntado onde ficava o mar (a restinga ficara longe e meus olhos ...)

É verdade que eu era uma criança, e que poucas memórias tenho desse tempo (talvez apagadas pelo sofrimento na época), é verdade também que no frio daquele inverno e todos os que o sucederam até de novo ter partido à procura do calor tropical em outro meridiano, descobri prazeres que desconhecia, mas é sobretudo verdade que foi na alternância das estações que cresci e aprendi que em qualquer circunstância podemos encontrar felicidade, basta para tal estar atento, manter o espírito aberto à mudança ao mundo e às pessoas.

Naqueles primeiros Natais passados à luz de um candeeiro, porque ainda não chegara à aldeia a energia eléctrica, a "telefonia" era o epicentro das reuniões familiares, em que se podia ouvir o arfar de cada um (tal era o silêncio) para escutar um qualquer folhetim que passava na rádio, enquanto a lenha queimava apressadamente e nos aquecia. Lá fora o frio cortava e a escuridão instalava-se para mais tarde se apoderar do imaginário das crianças, alimentadas pelas histórias dos mais velhos.

Na noite de Natal a refeição fazia parte de um ritual com mais de 2 séculos , e lá por volta da meia-noite eramos convidados a ir buscar os sapatos engraxados e deixá-los junto à chaminé.

Na manhã seguinte ainda lembro a felicidade que experimentava ao encontrar uma prenda , e não se passou uma manhã de 25 de Dezembro, sem que lá existisse sinal da presença do PAI NATAL, esse PAI NATAL em que até hoje acredito e pelo qual ainda procuro pautar o meu comportamento ao longo de todo o ano, permitindo-me nesta época fazê-lo de forma especial . Hoje comemoro 30 anos que cheguei a Portugal,mas sobretudo comemoro a conquista de mais um dia em que me sinto feliz por ter oportunidade de partilhar ! (...)

A Restinga fica aqui e a aldeia escondida aqui

O tempo e os tempos

Foi aqui, no tempo Enquanto sorvia o teu silêncio, que Reclinando a cadeira, somei Todos os tempos, que vividos Através da pausa dos sen...