sábado, janeiro 20, 2007

Eu digo: NÃO

Eu digo não, porque só assim dou expressão à razão!

Quem me conhece sabe que a filiação partidária e clubista não me tolhem a razão permitindo ter opinião própria e visão desapaixonada sobre matérias que pela sua relevância mereçam a minha atenção e envolvimento.

Recuso aceitar que possamos analisar uma questão tão relevante e importante sem perceber tudo o que antecede (ou deveria anteceder) tão importante decisão, que se encerra em duas respostas com apenas três letras e enorme significado Social, Emocional, Antropológico e sobretudo Humano.

Enquanto ser humano vivo e pensante não posso aceitar que a escolha proposta se coloque no plano viver ou não viver, sem antes ter percorrido todos os estágios que a Humanidade pensante conquistou e parece ter esquecido:

- Sensibilização
- Educação
- Sensibilização
- Educação
- Sensibilização

Passaram-se 8 anos desde que fomos convidados em acto público (vulgo plebiscito) a optar por uma lei mais “liberal” relativamente ao tema Aborto, e nessa ocasião a maioria (ainda que em minoria) escolheu manter a Lei já existente.

Não pode merecer contestação o facto de ter decorrido um acto público com resultados validados, devemos porém centrar-nos no que foi dito na altura, no que aconteceu depois disso e constatar o que mudou (ou não).

Mantém-se protagonistas as mesmas entidades e respectivos asseclas: Partidos Políticos, Igreja, Governo, Movimentos pró e contra (lobbyes) e outras organizações mais ou menos tendenciosas todos com vista a influenciar o voto numa determinada direcção.
Uns alegam Racionalidade, outros Direitos, outros ainda a condição de seres inteligentes e supremos decisores ou aqueles outros que parecem dizer (dizem mesmo) que este assunto apenas diz respeito a um dos sexos.

O Estado demitiu-se da Obrigação de Formar, Informar e Apoiar e procura um “penso rápido” para a grave Omissão, criando uma nova oportunidade de desresponsabilização.

O caminho a percorrer deve obrigatoriamente contemplar a Responsabilização como instrumento educativo e só depois de atingida maturidade educativa apreciável, permitir tão elevada transferência de responsabilidade para o Plano Individual, sem qualquer intervenção do Estado.

Nada se fez desde 1998 estruturalmente: Não se criaram estruturas de apoio, não se ensinaram as crianças, os jovens e os adultos, consequentemente não progredimos.

É muito grave quando se alega a experiência de outros Países como álibi para votar nesta ou naquela direcção. Como é possível comparar culturas e diferentes níveis de educação e pretender adoptar semelhantes práticas? A quem interessa verdadeiramente que a votação seja nesta ou naquela direcção? Porque razão se insiste que um tema destes seja motivo de “vitória” ou “derrota”? Inaceitável afirmar que se trata de uma questão de consciência individual e se apregoe uma opção em nome de uma “vitória”, em que uns estão “certos” e os outros “errados”?

Sei que não discursei com afirmações inquestionáveis e incontornáveis, deixei mais perguntas (não dúvidas), porque o referendo deve ter essa linha de orientação permitindo que cada um possa aperceber-se da profundidade da questão e com base em toda a informação disponível, conscientemente fazer a sua opção.

Termino com mais uma pergunta:

O Estado no uso das suas funções reguladoras determina as condições necessárias para que um cidadão possa habilitar-se a dirigir um veículo automóvel, determina as condições de habilitação, condiciona através de normas a conduta deste condutor. No uso das suas funções fiscalizadoras este mesmo estado pune os infractores pelo não cumprimento das normas, e nós todos concordamos ou não? Falamos de normas que visam a Vida do próprio e sobretudo de terceiros quase sempre indefesos e desprevenidos.

No que diz respeito a esta matéria (aborto) o que pretende fazer o Estado?

Não, não pretendo que o Estado regule ou fiscalize as pessoas e as suas relações sexuais, antes pretendo que o Estado EDUQUE, preparando as pessoas para que no uso da sua faculdade criadora de vida, possam tratá-la com o mesmo respeito que o Estado exige ao condutor do veículo automóvel, afinal estamos ou não a falar de vidas em ambos os casos?

Atenção: Mais vida ou menos vida não existe, isso é hipocrisia política.

Existe vida e a prova disso mesmo é que a sua e a minha mãe nos permitiram encontrar.


P.S. Este texto expressa uma opinião pessoal fundada em experiência e convicção, não questiona a opinião de ninguém em particular, não está portanto sujeita a votação ou outro tipo de métrica. Reservo-me o direito de não publicar comentários insultosos.

quarta-feira, janeiro 17, 2007

Retornar

Retornar é uma palavra que persegue os meus pais, e que parece querer continuar o seu curso geracional, nada farei para o impedir até porque me sinto bem quando "retorno" por opção !

Vou voltar e para registar esse dia que ocorrerá no próximo sábado, farei um comunicado.

A todos , até breve. Até sábado.

O tempo e os tempos

Foi aqui, no tempo Enquanto sorvia o teu silêncio, que Reclinando a cadeira, somei Todos os tempos, que vividos Através da pausa dos sen...