Eu digo: NÃO

Eu digo não, porque só assim dou expressão à razão!

Quem me conhece sabe que a filiação partidária e clubista não me tolhem a razão permitindo ter opinião própria e visão desapaixonada sobre matérias que pela sua relevância mereçam a minha atenção e envolvimento.

Recuso aceitar que possamos analisar uma questão tão relevante e importante sem perceber tudo o que antecede (ou deveria anteceder) tão importante decisão, que se encerra em duas respostas com apenas três letras e enorme significado Social, Emocional, Antropológico e sobretudo Humano.

Enquanto ser humano vivo e pensante não posso aceitar que a escolha proposta se coloque no plano viver ou não viver, sem antes ter percorrido todos os estágios que a Humanidade pensante conquistou e parece ter esquecido:

- Sensibilização
- Educação
- Sensibilização
- Educação
- Sensibilização

Passaram-se 8 anos desde que fomos convidados em acto público (vulgo plebiscito) a optar por uma lei mais “liberal” relativamente ao tema Aborto, e nessa ocasião a maioria (ainda que em minoria) escolheu manter a Lei já existente.

Não pode merecer contestação o facto de ter decorrido um acto público com resultados validados, devemos porém centrar-nos no que foi dito na altura, no que aconteceu depois disso e constatar o que mudou (ou não).

Mantém-se protagonistas as mesmas entidades e respectivos asseclas: Partidos Políticos, Igreja, Governo, Movimentos pró e contra (lobbyes) e outras organizações mais ou menos tendenciosas todos com vista a influenciar o voto numa determinada direcção.
Uns alegam Racionalidade, outros Direitos, outros ainda a condição de seres inteligentes e supremos decisores ou aqueles outros que parecem dizer (dizem mesmo) que este assunto apenas diz respeito a um dos sexos.

O Estado demitiu-se da Obrigação de Formar, Informar e Apoiar e procura um “penso rápido” para a grave Omissão, criando uma nova oportunidade de desresponsabilização.

O caminho a percorrer deve obrigatoriamente contemplar a Responsabilização como instrumento educativo e só depois de atingida maturidade educativa apreciável, permitir tão elevada transferência de responsabilidade para o Plano Individual, sem qualquer intervenção do Estado.

Nada se fez desde 1998 estruturalmente: Não se criaram estruturas de apoio, não se ensinaram as crianças, os jovens e os adultos, consequentemente não progredimos.

É muito grave quando se alega a experiência de outros Países como álibi para votar nesta ou naquela direcção. Como é possível comparar culturas e diferentes níveis de educação e pretender adoptar semelhantes práticas? A quem interessa verdadeiramente que a votação seja nesta ou naquela direcção? Porque razão se insiste que um tema destes seja motivo de “vitória” ou “derrota”? Inaceitável afirmar que se trata de uma questão de consciência individual e se apregoe uma opção em nome de uma “vitória”, em que uns estão “certos” e os outros “errados”?

Sei que não discursei com afirmações inquestionáveis e incontornáveis, deixei mais perguntas (não dúvidas), porque o referendo deve ter essa linha de orientação permitindo que cada um possa aperceber-se da profundidade da questão e com base em toda a informação disponível, conscientemente fazer a sua opção.

Termino com mais uma pergunta:

O Estado no uso das suas funções reguladoras determina as condições necessárias para que um cidadão possa habilitar-se a dirigir um veículo automóvel, determina as condições de habilitação, condiciona através de normas a conduta deste condutor. No uso das suas funções fiscalizadoras este mesmo estado pune os infractores pelo não cumprimento das normas, e nós todos concordamos ou não? Falamos de normas que visam a Vida do próprio e sobretudo de terceiros quase sempre indefesos e desprevenidos.

No que diz respeito a esta matéria (aborto) o que pretende fazer o Estado?

Não, não pretendo que o Estado regule ou fiscalize as pessoas e as suas relações sexuais, antes pretendo que o Estado EDUQUE, preparando as pessoas para que no uso da sua faculdade criadora de vida, possam tratá-la com o mesmo respeito que o Estado exige ao condutor do veículo automóvel, afinal estamos ou não a falar de vidas em ambos os casos?

Atenção: Mais vida ou menos vida não existe, isso é hipocrisia política.

Existe vida e a prova disso mesmo é que a sua e a minha mãe nos permitiram encontrar.


P.S. Este texto expressa uma opinião pessoal fundada em experiência e convicção, não questiona a opinião de ninguém em particular, não está portanto sujeita a votação ou outro tipo de métrica. Reservo-me o direito de não publicar comentários insultosos.

Comentários

Marian disse…
Uma questão delicada em que respeito as várias posturas possiveis... è sem duvida uma questão de consciencia muito pessoal.
A ivg nao é solução para nada, mas quando se faz -e sabemos que isso acontece, será melhor em termos de saúde publica que tenha a assistencia indicada, em vez de circular num submundo clandestino a enriquecer uns quantos transgressores e a fazer sofrer outros. Em termos económicos globais essas transgressoes tambem tem a sua factura. Tudo isto com considerandos morais/eticos à parte, claro e esses podem fazer toda a diferença para uma decisão final.
Adryka disse…
Olá amigo, hoje mais exclarecida que há 8 anos embora já nessa altura tenha votado não pois sou a favor da vida. É rídicula a expressão mais forte do sim ao aborto que é : aprisão de mulheres, quantos estão presas? quantas foram presas. Hoje vi muita coisa e não politica nem tendenciosa e tudo me levou á certeza de que existe vida um ser no seu início, logo horas após a concepção. Sou contra a pena de morte , nunca será com o meu voto que uma lei assassina será aprovada. Somos um país com uma população envelhecida, porque não se apoiam as mulheres que ficam gravidas com o dinheiro que iria ser gasto nos abortos? porque não existem psicologos para ajudar as grávidas com uma gravidês indesejada , porque as assistentes sociais não apoião as mulheres que ficaram gravidas num momento menos bom da sua vida, pois entendo tudo pela lei do menor esforço, cortar o mal pela raís, morte á criança!...
Existem tantas coisas para não engravidar até a pilula do dia seguinte. Mas com que vontade estas pessoas iliminam a continuação do ser humano. Beijos para ti.
P.S.
Caso queiras consulta este site, foi por o que aqui vi que me aterrorizei. http://apfn.com.pt/documentario/
Sukkub disse…
:) é.. uns lobos é giro.

Quanto ao aborto.. Eu também digo que não (há demasiados metodos contracetivos. seria muita irresponsabilidade), mas votaria sim. Só porque eu não tenho o direito de decidir por ninguém.

E sinceramente, como tu dizes, não há educação em relação a isso.

E mais.. Acho que só nos andam a tapar os olhos e ouvidos e boca com isto da legalização do aborto, porque sempre existiu. E neste momento deveria haver outras prioridades.

Fui hoje recensear-me.. Ando atrasada.. mas mais vale tarde que nunca.

Bom teres voltado :)

**
Micas disse…
É uma questão muito delicada, tal como a eutanasia. Eu ainda não percebi se o que está em causa é a despenalização ou a liberação do aborto. Pessoalmente sou contra o aborto e qd olho os meus filhos por vezes tento colocar-me no lugar de mulheres que por esta ou aquela razão interromperam uma gravidez, o que sentirão qd olham crianças com a idade que os seus filhos poderiam ter?? eu acho que nunca teria coragem de fazer um aborto, da mesma forma que não tenho o direito de julgar quem o faz, por essa razão votaria "sim", pela despenalização, e para que haja mais controle e responsabilidade de parte a parte. Infelizmente o aborto existe, penso que se for despenalizado seja mais controlado como aqui. A IVG é uma questão de consciência, não quero acreditar que aumente com a sua despenalização. Mas concordo contigo que o estado devia começar pela educação nas escolas, pelas leis de adopção, pelo apoio à maternidade, se as mães tiverem mais tempo para acompanhar o desenvolvimento dos filhos, isso irá levar a familias mais unidas, e os valores voltarão a ter peso e fazer sentido na vida de cada um. Enquanto Portugal andas às voltas com o "aborto", a Alemanha está a apostar forte na familia.
Como sempre Portugal gosta de copiar o que vem de fora, começando sempre pelo "telhado" e esquecendo-se dos "alicerces".

Bom que estás de volta.

Beijos e bom fim de semana
Nilson Barcelli disse…
Tens toda a razão em quase tudo que afirmas.
Poderia, até, escrever um texto muito idêntico ao teu.
Apesar disso, sou pelo SIM.
Um abraço.

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