Hoje enquanto aguardava a minha vez para conversar com a professora da Bárbara (fui levantar o boletim de avaliação do 1.º trimestre), entretive-me a ler as "cartas" que as crianças (algumas) dirigiram ao PAI NATAL.
Como esperei uma hora e meia tive tempo (e curiosidade) para as ler todas, eram umas 18 , e vim para casa a pensar em tudo o que lera ... e na repetição de ideias e conceitos que continham .
Se é normal as crianças pedirem "prendas", estranhei alguns pedidos repetidas vezes formulados : " Paz no mundo ; saúde ; felicidade ; dinheiro ... "
São estranhos pedidos ao Pai Natal .
Crianças, dirão alguns, mas na verdade por trás destas crianças e destes conceitos a elas "vendidos" encontramos os pais, educadores que erradamente atribuem a uma figura como o Pai Natal, a responsabilidade pela Paz , pela saúde e outras coisas mais, demitindo-se das suas responsabilidades de educadores e co-responsaveis pelas "tais prendas", consequentemente deixando de ensinar aos seus filhos que fazem eles próprios, parte da solução.
Quando iremos nós assumir as responsabilidades e deixar de as atribuir a terceiros ou "imagens" que nós criamos ? (...)
O mundo será definitivamente melhor no dia em que cada um de nós perceber que o contributo individual é fundamental para o resultado global .
Renovação... (...o sol nasce todos os dias, aproveitar o ensejo e renovarmo-nos também )
sexta-feira, janeiro 07, 2005
quinta-feira, dezembro 30, 2004
segunda-feira, dezembro 20, 2004
NATAL (texto partilhado com Olhar Atento)

NATAL
Eu nasci no continente africano onde o calor tropical nos aquecia o corpo e mantinha numa alegria de viver constante, quando aos cinco anos fui convidado a refugiar-me em Portugal, onde por oposição ao calor descobri o frio .
Este mesmo frio que agora sentimos, pois foi à precisamente 30 anos que aqui cheguei (20 de Dezembro de 1974).
Desse dia recordo ter conhecido dois miúdos (como eu) o Paulo e o Rui Silva, recordo igualmente de ver a minha avó materna a fazer "filhós",e ainda recordo ter perguntado onde ficava o mar (a restinga ficara longe e meus olhos ...)
É verdade que eu era uma criança, e que poucas memórias tenho desse tempo (talvez apagadas pelo sofrimento na época), é verdade também que no frio daquele inverno e todos os que o sucederam até de novo ter partido à procurado calor tropical em outro meridiano, descobri prazeres que desconhecia, mas é sobretudo verdade que foi na alternância das estações que cresci e aprendi que em qualquer circunstância podemos encontrar felicidade, basta para tal estar atento, manter o espírito aberto à mudança ao mundo e às pessoas.
Naqueles primeiros Natais passados à luz de um candeeiro, porque ainda não chegara à aldeia a energia eléctrica, a "telefonia" era o epicentro das reuniões familiares, em que se podia ouvir o arfar de cada um (tal era o silêncio) para escutar um qualquer folhetim que passava na rádio, enquanto a lenha queimava apressadamente e nos aquecia. Lá fora o frio cortava e a escuridão instalava-se para mais tarde se apoderar do imaginário das crianças, alimentadas pelas histórias dos mais velhos.
Na noite de Natal a refeição fazia parte de um ritual com mais de 2 séculos , e lá por volta da meia-noite eramos convidados a ir buscar os sapatos engraxados e deixá-los junto à chaminé.
Na manhã seguinte ainda lembro a felicidade que experimentava ao encontrar uma prenda , e não se passou uma manhã de 25 de Dezembro, sem que lá existisse sinal da presença do PAI NATAL, esse PAI NATAL em que até hoje acredito e pelo qual ainda procuro pautar o meu comportamento ao longo de todo o ano, permitindo-me nesta época fazê-lo de forma especial .
Hoje comemoro 30 anos que cheguei a Portugal,mas sobretudo comemoro a conquista de mais um dia em que me sinto feliz por ter oportunidade de partilhar ! (...)
A Restinga fica aqui e a aldeia escondida aqui
quarta-feira, dezembro 15, 2004
BILÍNGUE
Eu amo saber, que amar
Is to know, where you are
e respirar
the sweet sound of your voice
penetrando em meus ouvidos !
Perhaps, my love
Eu te sinta, mais que o cinto
that i feel in my body,
mas a verdade, é que
I would like, to feel you
mais, muito mais.
But i can't do it without
você, baby !!!
Batista Ferreira
28 de Outubro de 1992
Is to know, where you are
e respirar
the sweet sound of your voice
penetrando em meus ouvidos !
Perhaps, my love
Eu te sinta, mais que o cinto
that i feel in my body,
mas a verdade, é que
I would like, to feel you
mais, muito mais.
But i can't do it without
você, baby !!!
Batista Ferreira
28 de Outubro de 1992
AMEI VOCÊ
Amei Você,
na cama, no céu, na luz da vida
e em todos os demais sonhos
que a ternura criou !
Amei você,
com amor, com carinho
com tudo aquilo
que os filmes de amor teêm !
Amei você,
no limite, sem limite e
permiti que todas as leis naturais
nada mais fossem
que limites, sem limite, pra nós dois !
Amei você,
no medo da solidão,
no silêncio das minhas ansiedades,
na ternura de meus pensamentos,
e na ilusão de minha existência !
Amei você,
sem querer te amar,
sem ter que te amar,
sem me obrigar a te amar,
sem julgar te amar e
sem perceber
que realmente te amava !!!
Jorge Joaquim Semião d'Alencar
18 de Fevereiro de 1993
na cama, no céu, na luz da vida
e em todos os demais sonhos
que a ternura criou !
Amei você,
com amor, com carinho
com tudo aquilo
que os filmes de amor teêm !
Amei você,
no limite, sem limite e
permiti que todas as leis naturais
nada mais fossem
que limites, sem limite, pra nós dois !
Amei você,
no medo da solidão,
no silêncio das minhas ansiedades,
na ternura de meus pensamentos,
e na ilusão de minha existência !
Amei você,
sem querer te amar,
sem ter que te amar,
sem me obrigar a te amar,
sem julgar te amar e
sem perceber
que realmente te amava !!!
Jorge Joaquim Semião d'Alencar
18 de Fevereiro de 1993
quarta-feira, dezembro 08, 2004
Águas de Março
(Em memória de um poeta maior da língua Portuguesa)
António Carlos Jobim (clique para ouvir)
É pau, é pedra, é o fim do caminho
É um resto de toco, é um pouco sozinho
É um caco de vidro, é a vida, é o sol
É a noite, é a morte, é um laço, é o anzol
É peroba do campo, é o nó da madeira
Caingá, candeia, é o Matita Pereira.
É madeira de vento, tombo da ribanceira
É o mistério profundo, é o queira ou não queira
É o vento ventando, é o fim da ladeira
É a viga, é o vão, festa da cumeeira
É a chuva chovendo, é conversa ribeira
Das águas de março, é o fim da canseira
É o pé, é o chão, é a marcha estradeira
Passarinho na mão, pedra de atiradeira.
É uma ave no céu, é uma ave no chão
É um regato, é uma fonte, é um pedaço de pão
É o fundo do poço, é o fim do caminho
No rosto o desgosto, é um pouco sozinho.
É um estrepe, é um prego, é uma conta, é um conto
É uma ponta, é um ponto, é um pingo pingando
É um peixe, é um gesto, é uma prata brilhando
É a luz da manhã, é o tijolo chegando
É a lenha, é o dia, é o fim da picada
É a garrafa de cana, o estilhaço na estrada
É o projeto da casa, é o corpo na cama
É o carro enguiçado, é a lama, é a lama.
É um passo, é uma ponte, é um sapo, é uma rã
É um resto de mato, na luz da manhã
São as águas de março fechando o verão
É a promessa de vida no teu coração.
É uma cobra, é um pau, é João, é José
É um espinho na mão, é um corte no pé
É um passo, é uma ponte, é um sapo, é uma rã
É um belo horizonte, é uma febre terçã
São as águas de Março fechando o verão
É a promessa de vida no teu coração
António Carlos Jobim (clique para ouvir)
É pau, é pedra, é o fim do caminho
É um resto de toco, é um pouco sozinho
É um caco de vidro, é a vida, é o sol
É a noite, é a morte, é um laço, é o anzol
É peroba do campo, é o nó da madeira
Caingá, candeia, é o Matita Pereira.
É madeira de vento, tombo da ribanceira
É o mistério profundo, é o queira ou não queira
É o vento ventando, é o fim da ladeira
É a viga, é o vão, festa da cumeeira
É a chuva chovendo, é conversa ribeira
Das águas de março, é o fim da canseira
É o pé, é o chão, é a marcha estradeira
Passarinho na mão, pedra de atiradeira.
É uma ave no céu, é uma ave no chão
É um regato, é uma fonte, é um pedaço de pão
É o fundo do poço, é o fim do caminho
No rosto o desgosto, é um pouco sozinho.
É um estrepe, é um prego, é uma conta, é um conto
É uma ponta, é um ponto, é um pingo pingando
É um peixe, é um gesto, é uma prata brilhando
É a luz da manhã, é o tijolo chegando
É a lenha, é o dia, é o fim da picada
É a garrafa de cana, o estilhaço na estrada
É o projeto da casa, é o corpo na cama
É o carro enguiçado, é a lama, é a lama.
É um passo, é uma ponte, é um sapo, é uma rã
É um resto de mato, na luz da manhã
São as águas de março fechando o verão
É a promessa de vida no teu coração.
É uma cobra, é um pau, é João, é José
É um espinho na mão, é um corte no pé
É um passo, é uma ponte, é um sapo, é uma rã
É um belo horizonte, é uma febre terçã
São as águas de Março fechando o verão
É a promessa de vida no teu coração
quarta-feira, dezembro 01, 2004
BLACK OUT

Foto retirada aqui :http://www.rainhadapaz.g12.br/projetos/estudomeio/sapucai/depoimentos.htm
Tarde muito tarde na vida, soletro os sons do mundo
E tal garoto do mundo embriagado me atormento
Buscando em cada sorriso o calor de um irmão disposto
A me acarinhar e mostrar a vida,
Essa coisa de que apenas tenho ouvido falar.
Será que essa tal de vida é parecida com minha mãe ?
Oh, como minha mãe é linda e meiga, como gosto dela...
Será que essa tal de vida a conhece ?
Eu acho que se ela conhecer a minha mãe vai gostar dela,
è por causa de que todo mundo gosta dela, a vida também vai gostar !
Quando eu conhecer a vida de que ocês falam, cês nem sabem
O que é que vou falar com ela : Vou falar assim, que queria
ter aquela comida que eu vejo os Meninos de Dona Maricotinha a comer,
assim num copinho, e que se ficar no sol some. É tão engraçado .
Um dia me deram dessa comida e eu fiquei olhando tanto
Que quando acordei ela tinha sumido, virou assim um caldo...
Mas era tão linda , às cores e com curvas !
Agora eu vou querer uma para comer de verdade, dessa vez
Eu não vou dormir. Ah, não vou não...
Eu quero muito conhecer essa tal de vida, porque me disseram
que essa tal de vida é muito boa, e como eu não tenho ninguém
Se ela quiser pode tomar conta de mim, eu gosto assim
Quando as pessoas me tratam bem e chamam de Menino da Rua ! (...)
Eu não quero roubar,pedir, chorar ou chatear, só estou querendo
Um pouco da sua atenção.
Talvez não tenha percebido, mas eu
Sou invisual e não conheço a vida, poderá me apresentar a ela ?
Jorge Joaquim Semião de Alencar
Montes Claros, 1993/07/05 (21:38 fim)
sexta-feira, novembro 12, 2004
Dizer, Ouvir e Entender
Disseste-me que estava atrasado,
e não te escutei.
Quando te beijei nos lábios,
não percebi.
Somente no gesto de despedida,
escutei, percebi e compreendi !
e não te escutei.
Quando te beijei nos lábios,
não percebi.
Somente no gesto de despedida,
escutei, percebi e compreendi !
quinta-feira, novembro 04, 2004
HOMEM
Homens,
Quem os não teve ?
Quem os não têm ?
Que é feito de suas montadas ?
Que é feito de suas montarias ?
Homem,
tempero de vida,
sal de uma aventura,
um homem e uma despedida
uma ilusão e outra amargura !
Homem,
fetiche à noite na abordagem
sombra de candura e temor,
e durante sua nupcial viagem
um terremoto de carinho e amor !
Homem,
soberbo animal de maus usos
que quando a manhã chega
descontente, abusos comete
e em todos se descarrega !
Homem,
ferida em coração sentida
pelo pesar do tempo passado
que em silêncio se vê perdida
sem vontade de olhar pró lado!
Homem,
sofrimento de uma vida,
de um dia e de uma mulher
caixa de papelão sem saída
retrato de animal sem saber !
Homem,
cintura grossa e feia,
figura desajeitada e rude,
que a todas faz teia e
enquanto dormem as ilude !
Homem,carrasco incansável
e soberano governador
que não descanças teu imutável
geito desconfiado de galanteador !
Homem,
que tanto te preservas
e em tudo indefines,
enquanto a nós desprezas,
quando à vida te redimes !
Homem,
não te desprezo
não te condeno e
nem te despeço,
apenas te aceno
com a simpatia cordial,de uma ...Mulher !!!
Vanessa D'Aurevelly
Belo Horizonte 1994
Quem os não teve ?
Quem os não têm ?
Que é feito de suas montadas ?
Que é feito de suas montarias ?
Homem,
tempero de vida,
sal de uma aventura,
um homem e uma despedida
uma ilusão e outra amargura !
Homem,
fetiche à noite na abordagem
sombra de candura e temor,
e durante sua nupcial viagem
um terremoto de carinho e amor !
Homem,
soberbo animal de maus usos
que quando a manhã chega
descontente, abusos comete
e em todos se descarrega !
Homem,
ferida em coração sentida
pelo pesar do tempo passado
que em silêncio se vê perdida
sem vontade de olhar pró lado!
Homem,
sofrimento de uma vida,
de um dia e de uma mulher
caixa de papelão sem saída
retrato de animal sem saber !
Homem,
cintura grossa e feia,
figura desajeitada e rude,
que a todas faz teia e
enquanto dormem as ilude !
Homem,carrasco incansável
e soberano governador
que não descanças teu imutável
geito desconfiado de galanteador !
Homem,
que tanto te preservas
e em tudo indefines,
enquanto a nós desprezas,
quando à vida te redimes !
Homem,
não te desprezo
não te condeno e
nem te despeço,
apenas te aceno
com a simpatia cordial,de uma ...Mulher !!!
Vanessa D'Aurevelly
Belo Horizonte 1994
quarta-feira, novembro 03, 2004
Eu ví
Eu ví o sol,
A lua , e as estrelas,
Certamente nos vímos !
Desci do alto, e me debrucei
sobre os livros amontoados,
encontrei nossa distância e
me olhei na primeira página :
-"Vencer"
Aí começa a história,
o conto, uma poesia,
um conto de fadas.
Fadas comprometidas com o belo
e que marcaram a distância entre
a realidade e minha fantasia...
Carlos Urbano de Sant' Ana
Belo Horizonte 1993
A lua , e as estrelas,
Certamente nos vímos !
Desci do alto, e me debrucei
sobre os livros amontoados,
encontrei nossa distância e
me olhei na primeira página :
-"Vencer"
Aí começa a história,
o conto, uma poesia,
um conto de fadas.
Fadas comprometidas com o belo
e que marcaram a distância entre
a realidade e minha fantasia...
Carlos Urbano de Sant' Ana
Belo Horizonte 1993
Black Out
Busquei,
por entre verdes esperanças
uma luz, que me iluminasse
encontrei, os olhos seus !
Límpidos, cristalinos e belos
se despedindo de nossa mesa.
Parei,
no tempo, na imagem suave
do rosto, esculpidos com afeto
e ternura,
tão delicados seus traços...e , parei !
Não sei, ainda não sei...
Talvez timidez e vergonha, mas
hei-de mais observar e
melhor detalhar... os seus detalhes !
Carlos Urbano de Sant' Ana
Belo Horizonte 1993
por entre verdes esperanças
uma luz, que me iluminasse
encontrei, os olhos seus !
Límpidos, cristalinos e belos
se despedindo de nossa mesa.
Parei,
no tempo, na imagem suave
do rosto, esculpidos com afeto
e ternura,
tão delicados seus traços...e , parei !
Não sei, ainda não sei...
Talvez timidez e vergonha, mas
hei-de mais observar e
melhor detalhar... os seus detalhes !
Carlos Urbano de Sant' Ana
Belo Horizonte 1993
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O tempo e os tempos
Foi aqui, no tempo Enquanto sorvia o teu silêncio, que Reclinando a cadeira, somei Todos os tempos, que vividos Através da pausa dos sen...
